Tem início a fase de perfuração do Projeto Raia
Teve início em 24 de março a fase de perfuração do Projeto Raia, no pré-sal da Bacia de Campos, com atividades realizadas pela sonda Valaris DS-17. Seis poços serão perfurados em águas ultraprofundas, em lâminas d’água de cerca de 2.900 metros de profundidade. Este novo marco representa uma etapa fundamental no desenvolvimento da área, que é operado pela Equinor (35%) em consórcio com Repsol Sinopec Brasil (35%) e Petrobras (30%).
As descobertas na região somam reservas recuperáveis de gás natural e condensado de mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe). Com capacidade de produção de aproximadamente 126 mil barris de petróleo por dia e 16 milhões de m³/dia de gás, o Raia poderá representar 15% da demanda total de gás do Brasil projetada para 2028, quando está previsto o início de sua produção.
O empreendimento, que integra o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal, concentra investimento de aproximadamente US$ 9 bilhões. Ao longo de sua vida útil, estima-se que sejam gerados 50 mil empregos diretos e indiretos, fomentando o desenvolvimento econômico da região.
«Seguimos comemorando cada marco do Raia, desde a descoberta quando a Repsol Sinopec era operadora. Este é um projeto estratégico para o país, dedicado ao fornecimento de energia de forma segura, eficiente e responsável, com baixa intensidade de emissões e aspectos inovadores que incluem a especificação do gás natural para venda no próprio FPSO Raia, que será integrado à malha de transporte terrestre por meio de um gasoduto dedicado.”, destaca o CEO da Repsol Sinopec Brasil, Alejandro Ponce.
O projeto Raia apresenta conceito inovador para o setor no Brasil, ao utilizar um FPSO (Floating, Production, Storage and Offloading / Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência, na sigla em inglês) capaz de tratar o gás produzido, e já especificá-lo para venda, sem a necessidade de processamento em terra. Com 354 metros de comprimento e 64 metros de largura, o FPSO Raia, que está sendo construído pela Modec, já teve todos os seus 25 módulos içados e posicionados e deve chegar ao Brasil em 2027. Um gasoduto integrado ao projeto, com cerca de 200km de extensão, vai escoar o gás especificado do navio-plataforma, até Cabiúnas, em Macaé (RJ), conectando-o diretamente à rede nacional. Os líquidos serão descarregados por navios-tanque.
O FPSO também utilizará tecnologia de ciclo combinado, que contribui diretamente para a redução das emissões do campo. A Intensidade Média de CO₂ por barril estimada do campo é de cerca de 6 kg por barril, abaixo da média da indústria. Segundo dados do IBP e ANP, a média atual da indústria é de 17 kg CO2 por barril, e a média global é de cerca de 20 kg CO2eq por barril de óleo equivalente.
Em setembro de 2025 foi instalada a estrutura da fundação do PLEM (Pipeline End Manifold). Com 165 toneladas, a base do PLEM foi instalada a cerca de 2.730 metros de profundidade. O PLEM tem como função conectar os risers ao gasoduto que transportará o gás do FPSO até a costa. Também nesta época foi concluída a instalação do trecho de águas rasas do gasoduto Raia, com 15 km de extensão.