O que é o pré-sal brasileiro?
José Carballo (Gerente de Exploração da Repsol Sinopec Brasil)
 
Embora hoje pareça algo tão óbvio, a semelhança entre as costas da África e da América do Sul só foi explicada pela primeira vez em 1912, quando o meteorologista alemão Alfred Wegener publicou seu livro "A Origem dos Continentes e Oceanos". Esta obra sugeriu pela primeira vez a ideia de que, durante a história geológica, os continentes se moveram e se deslocaram horizontalmente (Teoria da Deriva Continental). O desenvolvimento desta teoria mostrou que, cerca de 150 milhões de anos atrás, África e América do Sul, que faziam parte do supercontinente Gondwana, começaram a se separar (Figura 1).
 
Resumida e simplificadamente, o início da separação entre o que hoje é conhecido como América do Sul e África provocou a formação de vales e depressões profundos, semelhantes aos que vemos hoje no vale do Rift, no leste da África (extensão de 4.830 km), que rapidamente se tornou um enorme lago.
 
É neste momento e neste ambiente lacustre, que as rochas são depositadas e que agora constituem os prolíficos reservatórios que chamamos de "pré-sal brasileiro". Esse nome é dado porque, com o aumento desta separação continental, o mar começou a inundar o vale (Figura 2) e, em condições favoráveis, depositou uma espessa camada de sal.
 
 
Mais tarde, à medida que a separação dos continentes ia formando o Atlântico Sul e as margens continentais foram afundando sob o peso dos sedimentos, outras rochas foram depositadas sobre o sal.
 
Assim, a espessura de até 10 quilômetros de rochas que preenchem hoje algumas áreas da margem continental brasileira foi efetivamente dividida como uma torta de três camadas, a começar pela base: pré-sal, sal e pós-sal (Figuras 3 e 4).
 
 
O sal tem propriedades diferentes do resto de sedimentos e tende a deformar-se e se mover sob o peso das rochas, formando grandes edifícios que são chamados de "cúpulas salinas". Estas cúpulas podem chegar a vários quilômetros de espessura e, devido à impermeabilidade do sal, constituem o melhor selo para evitar que o petróleo e o gás gerados por rochas mais profundas escapem para a superfície.
Assim, as denominações pré-sal e pós-sal tornaram-se termos técnicos descritivos frequentemente usados para indicar a posição das rochas e acumulações de hidrocarbonetos em relação à camada de sal de vários quilômetros de espessura que divide estas áreas. 
 
Grande parte da costa brasileira é dividida em blocos que foram oferecidos em 13 leilões a partir de 1999. Em geral, são áreas inexploradas e possuem uma fase de exploração de cerca de 6 anos, durante a qual a empresa realiza uma avaliação do potencial da área e identifica zonas onde possam existir acumulações de hidrocarbonetos. Depois de avaliadas estas áreas, começa a perfuração que confirma ou não a existência de reservas ou campos de hidrocarbonetos. A Repsol Sinopec Brasil participou de 11 rodadas de licitação e já chegou a participar de 26 áreas de exploração.
 
Esta vasta experiência adquirida levou a companhia a realizar atividades de exploração e produção de hidrocarbonetos em três das principais bacias offshore no Brasil: Espírito Santo, Campos e Santos. Nas duas últimas, a exploração e produção ocorrem na região do pré-sal, localizada em profundidade total (lâmina d'água + espessura das rochas) de até 7.600m. 
 
 
A Repsol Sinopec Brasil no pré-sal
A companhia possui três importantes projetos no pré-sal brasileiro: Sapinhoá, que está em produção; e os blocos BM-C-33 e BM-S-50, nas Bacias de Campos e Santos, respectivamente.
 
Com a entrada em produção da FPSO Cidade de Ilhabela na parte norte do campo de Sapinhoá, no bloco BM-S-9, no pré-sal da Bacia de Santos, e a chegada ao platô de produção da FPSO Cidade de São Paulo, instalada na parte sul do mesmo campo, a Repsol Sinopec Brasil aumentou significativamente sua produção e encerrou o ano de 2014 com mais de 48 mil barris de óleo equivalente (boe) produzidos por dia, um recorde para a companhia. Este resultado também se deve à produção no campo de Albacora Leste, no pós-sal da Bacia de Campos, e posicionou a companhia como a terceira maior produtora de petróleo e gás no país, alcançando a marca de 50.193 barris de óleo equivalente produzidos por dia, segundo relatório de janeiro da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
 
No bloco BM-C-33, no pré-sal da Bacia de Campos, a Repsol Sinopec está realizando o Plano de Avaliação da área, com as perfurações dos poços Seat 2 e Pão de Açúcar 2, com o objetivo de confirmar o grande potencial do bloco. Situado a cerca de 200 km da costa do Rio de Janeiro, no bloco BM-C-33 foram feitas as descobertas de Pão de Açúcar, Seat e Gávea, que juntas apresentam estimativas de recursos de mais de 700 milhões de barris de óleo leve e mais de 3 trilhões de pés cúbicos de gás.